segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Amante da Lua

Alta noite, sem sono, desço ao jardim do hotel.


Caminho lentamente e sinto uma brisa boa que vem da lua.

Fecho os olhos e a sinto por todo meu corpo, que, coberto só com um vestido de seda, parece flutuar, leve e solto. A brisa invade-me inteira. E, assim, parada, luz só da lua, que me ama como nunca.

Sinto-me confidente dela, nós duas nuas de frente uma pra outra. Sim, nuas. Tiro o vestido, levanto os braços, fecho os olhos e giro, giro, sinto um êxtase pelo corpo, uma liberdade. Sinto-me mulher, como nunca me senti.

Minutos depois, olhos acostumados à escuridão, percebo um corpo deitado no gramado. É um homem. Está nu? Coloco o vestido e fico ali, parada, observando aquele corpo, deitado, braços e pernas abertas, amando a mesma lua que eu. Eu, a lua, e o desconhecido.

Sinto-me a verdadeira maluca, não resisto, me aproximo e percebo que não está nu, usa um calção. Deixo que me veja, enquanto passo quase do seu lado, fingindo olhos fechados, braços abertos, e me ajoelho à sua frente, de costas pra ele, de frente pra lua.

Sinto que minha respiração já não é mais a mesma, sinto que meu corpo quer se entregar à lua, ao homem e, ainda nestes pensamentos, sinto uma mão na minha cintura. Não reajo. Sinto a outra. Uma desce pela perna, outra sobe pelas costas. Uma levanta minha saia, e me descobre nua por baixo. Outra toca meu pescoço entrelaça os dedos nos meus cabelos e num só movimento me força pra frente com o corpo e me puxa a cabeça pra trás. E me vejo assim, de quatro, de frente pra lua, com um desconhecido a me tocar, a me acariciar e, como nunca fiz antes, desejo ser amada assim, como cadela, sem rodeios. Apoio os cotovelos na grama, meu rosto entre eles, e espero, anseio e recebo aquele homem dentro de mim.

Sinto a brisa da lua, a mesma brisa me rodeando, me tocando todo o corpo. Sinto aquele homem pulsando, me amando; aquele homem que não tem rosto, aquela lua que, amiga, é minha única testemunha e proteção.

Ela me abençoa, sinto. E sinto que, embora pareça o contrário, eu fiz o que quis com aquele homem, sem perguntar o nome, sem saber quem era, e ele se foi.

Fico ainda um momento ali, entregue na grama, deitada, aberta, amada. Cheia do poder e do amor que a lua me amou.

Não foi um homem, foi a própria lua que me amou naquela noite

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Novo Ontem

Dez anos se passaram
Mas parecia ontem
Há dez anos vivia com o mesmo ontem

Eu não me lembrava mais dele
Sim, eu me lembrava
Esquecera seu cheiro
Sua força, a mesma de dez anos
E ainda sentia suas mãos
As que me pegaram pela primeira vez
A força da puxada
A primeira, que se fez única

Dez anos e eu me esquecera
E sempre que me sentia puxada
Sempre que sentia mãos e força
Era dele que me lembrava
Sempre que alguém me entrava
Sentia ele dentro de mim
Do meu único primeiro
Inesquecível momento mulher

Ontem, no bar, quando o vi, duvidei
Pouco nos falamos
Bebida, olhar, pele se procurando
Quarto de hotel
Mesmas mãos já esquecidas
Mesmo cheiro que não sai de mim
Mesma força e jeito ao me puxar
Ao criar espaço, entrar e ficar
Novo momento
Novamente inesquecível
Novo ontem na minha vida

terça-feira, 28 de julho de 2009

Espelho


No banheiro ela me olhou
Enquanto arrumava minha blusa
Ajeitava o sutiã
No espelho, a vi me observando.

Só passava meu batom
E, enquanto ajeitava meu cabelo,
Ela estava comigo na imagem
Fitando meus olhos refletidos

Ao arrumar a calça, de lado,
Não tive a intenção


Só levantei o vestido o suficiente
Só para acertar a calcinha
Não foi por querer que fiquei de costas pra ela

E assim, de costas uma pra outra,
Perfis refletidos
Primeira e única palavra
Simultânea
- Linda!

Simultâneos sorrisos encabulados
Respiração sincronizada
Inevitável virarem, ao mesmo tempo,
Olho no olho, boca imperceptivelmente entreaberta,
Incontrolável beijo
E beijo e beijo e beijo

A de calça saiu apressada e nervosa
Esqueceu o batom na boca que não tinha

domingo, 21 de junho de 2009

Múltipla


Quando me vejo ali
Não sei se sou eu
Não sei quem são
Mas sinto vida
Como nunca senti

Escorre por meu corpo
Suores e líquidos
Cheiros e perfumes
De toda sorte
De todo gênero
E sou uma com todos

Sinto bocas e mãos
E não me sinto mais
Nada é pecado
Nada é errado

Já não penso
Ajo por extinto
Que não sabia possuir
E possuo e sou possuída
Sou toda energia
Pulso, ardo
E nem sei quem sou

Só sei que o que vem
E o que sai
O que entra por onde entrar
Tudo, hoje, faz parte de mim

E vou sem pensar
No cheiro, no tato
Sem hesitação
Quero mais e mais
Instinto, gozo e prazer
E nem quero saber de fim

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Tua Pele

Tua pele ainda está aqui
Sinto tuas costas
Sinto teu pescoço
E o cheiro de teus cabelos
Que não sai de mim
A textura de tua barriga
Na palma das minhas mãos

Quando fecho os olhos
Vejo-te novamente
Em cima da cama
Lembro de cada curva
De cada extremidade
Cada osso sendo tocado

Sua cor branca
Suavidade
A temperatura de seu corpo
Dentro e fora
E teus sabores

Sinto teus toques
Teus beijos
Tuas mãos
Por todo meu corpo
E sonho

Vinho branco na boca
E brindo ao nosso encontro

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ponto a Ponto


Ponto a ponto
E com a boca

Testa e fecha os olhos
Sinto os supercílios
Sinto as pálpebras
E as beijo

Vira

Nuca
Atrás das orelhas
Pescoço
Desço aos ombros

Coluna
Vértebra por vértebra
Beijo por beijo
E devagar
Até o quadril

Agora vem dos pés
Dedo a dedo
Na boca

Tornozelo e calcanhar
Canelas e coxas
E coxas e bunda

E perco a massagem
Perco-me em ti
Não resisto

Dentro e fora
Boca e beijos
E língua
E meios
Dentro e fora

A massagear
Toda e todo corpo
E beijos

domingo, 18 de janeiro de 2009

Pôr-do-sol


Fim de tarde
Céu alaranjado
Em frente ao rio
E engulo seco

Sol imenso começa a baixar
E percebo a respiração alterada

Reflexo no rio forma outro
Perpendicular rio
Especial, efêmero, de luz
E sinto os seios

Conforme baixa troca de cores
Inúmeras vezes troca de cores
E meu corpo é todo arrepios

Frente ao sol que baixa
Frente ao rio de luz
Direto, em minha direção
E ali, parada, receptiva
Boca seca
Mamilos explodem
Febre sobe e desce no corpo

E sou inteira do sol
Que me ama forte
Até seu último raio
E some dentro do rio
Dentro de mim some

Resta-me o céu cor-de-rosa
Que contemplo em todas suas cores
Até escurecer
Dentro de mim
BlogBlogs Adicionar aos Favoritos BlogBlogs
BlogBlogs.Com.Br